
EMENTAS
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Geometria da Santidade
(Doutorando Andrei Venturini Martins)
No texto Entretien avec M. de Saci, Blaise Pascal dialoga com o M. de Saci, versado erudito da patrística e, de maneira especial, de Santo Agostinho. Ele proporcionava conversas com quem quisesse, falava de pintura, medicina, agricultura e qualquer outra coisa que lhe fosse proposta. Neste diálogo, Pascal relata ao M. de Saci a sua leitura de Epíteto e Montaigne, sendo que o Sr. de Saci dizia que aquilo que Pascal reconhece nesses autores, ele já havia encontrado em Santo Agostinho. “[...] Sr. de Saci nisto chegando por um só golpe pela clara via do Cristianismo, e o Sr. Pascal nisto chegando depois de muitos desvios e se agregando aos princípios destes filósofos.” Desta maneira, pretendo analisar a abordagem que Pascal faz de Epíteto e Montaigne. O primeiro, grande combatente da preguiça intelectual, mas pela ferocidade da guerra revela o orgulho daquele que diz que possui o conhecimento. O segundo, do qual Pascal herda boa parte de sua erudição clássica, no combate ao orgulho de conhecer, desafia o interlocutor pela dúvida cética e conduz o mesmo ao desespero e a miséria. Assim relata Pascal: “Me parece que a fonte dos erros destas duas seitas é de não ter sabido que o estado do homem no presente difere daquele da criação; de forma que um, notando alguns traços de sua primeira grandeza, e ignorando a sua corrupção, tratou a natureza como sã e sem necessidade de reparador, isto que o dirige ao cúmulo da soberba; ao passo que a outra, aprovando a miséria presente e ignorando a primeira dignidade, trata a natureza como necessariamente enferma e irreparável, isto que a precipita no desespero [...]”. Logo, a ênfase no estado de natureza sem a mácula do pecado, assim como do estado de natureza corrompido conduz a uma polaridade no orgulho e no desespero. Pascal, neste diálogo, coloca uma filosofia contra a outra e, nesse ínterim, mostra a incoerência de um posicionamento filosófico dogmático ou cético como prova da existência de Deus, de modo que tal posicionamento descarta a teologia cristã como chave de leitura. Minha hipótese é que a santidade é o modo de vida que reconhece o orgulho e não cai no desespero.
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A mística em Agostinho e o conceito de mística no “De Magistro”
(Mestrando Neivor Schuck)
Este trabalho versa sobre o conceito de mística no mestre interior de Agostinho: quem ele é? E como ensina o homem no seu íntimo, ou seja, no interior? O que é a mística em Agostinho? Tentaremos entender como seria possível uma mística na interioridade agostiniana, entendida como santidade insuportável, a partir do De Magistro. Procuraremos, deste modo, definir essa mística considerando a arte mimética, ou seja, imitação de Cristo como fundamento principal. Para tal tarefa, usarei o conceito de “místico” defendido por Bernard MGinn, que a define como o conhecimento direto de Deus, sem intermediações.
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“Podeis vós beber o cálice que eu bebo?” – As exigências da santidade na perspectiva cristã oriental
(Doutorando Roberto de Almeida Gallego)
No Oriente Cristão, tornou-se célebre a ponderação dos Pais da Igreja, segundo a qual “Deus se fez homem para que o homem se faça Deus”. Trata-se de uma inequívoca conclamação do ser humano à santidade, à theosis ou deificação que, como bem sintetizou São Serafim de Sarov, é nada menos do que a aquisição, por parte do homem, do Espírito Santo. “Sede santos como Eu sou santo” é, sem dúvida, o convite mais extraordinário e, ao mesmo tempo, aterrorizador, que Deus faz ao homem, porquanto este último, em sua corrupção e fragilidade, pareça não estar, de modo algum, à altura de tal sublime empreitada. Ademais, não bastasse a sua pequenez e a sua condição caída, o ser humano treme diante das exigências da santidade: a renúncia de si mesmo; a constante tensão de vontade; a separação dos antigos ídolos; a humildade radical; o aprofundamento sem peias em seu nada; a busca, não de um comportamento moral exemplar, mas de um ajustamento criativo ao convite que Deus lhe sussurra em segredo, em seu coração inquieto de criatura extraviada. Pretende-se, pois, neste trabalho, especular, à luz do Cristianismo Ortodoxo, acerca da tolerabilidade ou não, do ser humano, aos reclamos – inatendíveis? – da santidade.
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Altruísmo e Santidade: uma investigação biológica
(Mestranda Soemis Martinez Guzman)
O conceito de aptidão inclusiva, uma alternativa teórica para explicar a evolução do comportamento social em formigas e outros organismos, é uma ferramenta utilizada na análise para avaliar como comportamentos prejudiciais de um indivíduo podem evoluir. Outro ponto é como podem seres não reprodutivos manter alguma aptidão apesar do seu caráter de aniquilamento. Seria uma espécie de santidade nos invertebrados? Seria a santidade uma característica própria de um determinismo biológico? Essa santidade pode ser transportada para a esfera humana? Reflexos dessa teoria são importantes na sociedade, pois podem explicar o comportamento altruísta.
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Túnica Branca de Orla Suja – Um Ensaio sobre Santidade, a Vontade de Deus para o Seu Povo
(Ms. Mário Eduardo de Oliveira)
O sociólogo Max Weber, em sua obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, destacou aquilo que chamou de “insuportável controle sobre a vida”, decorrente dos dogmas religiosos, exigindo do indivíduo um determinado tipo de conduta (PIERUCCI, 2004, pg.30). De outro modo, os protestantes de sua época entendiam que isso era a busca por uma vida santa. Considerando a divergência de entendimento sobre a santidade, neste trabalho pretende-se responder às questões: O que leva o indivíduo à busca pela santificação? Como definir santidade? Quais os pressupostos da santificação? A santificação é um processo? Se for, o que ela envolve? Existe gradação de santificação? Ela é insuportável? Como entender hoje a santidade?
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A Noite Coletiva e as ciências humanas
(Doutorando Diego Klautau)
A figura noite coletiva, apresentada por João Paulo II em dois documentos – uma homilia realizada por ocasião da celebração em honra de São João da Cruz em 1982, Segóvia e o Discurso ao Capítulo Geral Carmelita, Roma em 1989 – pode ser compreendida através da chave sociológica proposta por Zygmunt Bauman em sua obra Modernidade Líquida (2001), que apresenta a sociedade da pós-modernidade, ou da modernidade tardia, como um movimento de desregulamentação e privatização da consciência e, consequentemente, da moral. Esse movimento reduz o homem a uma falsa auto-suficiência e, assim, ao trágico destino do pó. Essa mesma privação e sofrimento indicado é compreendido por São João da Cruz como a Noite Escura, figura a qual João Paulo II faz referência. Porém, no diálogo com as ciências humanas produzidas a partir do iluminismo e do positivismo, a noção de sociedade globalizada torna impossível ao homem contemporâneo estabelecer um isolamento real, embora estimulado e almejado. Dessa forma, condenados ao convívio social, buscamos a fuga numa liberdade desregulamentada, que nos faz ver a todos como mercadorias e nos transforma em mercadorias, ao mesmo tempo em que necessita da privatização como única saída da segurança, da ordem e do controle. Essa constatação é interpretação da Noite Coletiva.
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Breve história da canonização
(Doutorando Marcelo Consentino)
O que faz de um santo um santo? Para um cristão não pode haver dúvida: Deus. É dele a iniciativa; é dele a finalização. Mas como a comunidade de crentes reconhece os seus santos? Ao longo da história do Cristianismo, e particularmente da Igreja católica, os métodos de verificação da santidade têm variado: da aclamação popular ao complexo processo de canonização atualmente em vigência no Vaticano. O objetivo deste estudo é expor, de modo breve, a história da canonização, seus métodos e resultados.
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Os Exercícios Espirituais de Sto. Inácio de Loyola: um caminho para a santidade?
(Mestranda Maria Teresa Moreira Rodrigues)
O grande legado de Inácio de Loyola, há cinco séculos usado, desvendado e muito utilizado, é um pequeno livro chamado “Exercícios Espirituais” (EE), escrito a partir de seus caminhos e descaminhos, emocionais e espirituais, na busca de maior sentido para sua vida. Depois de um acidente em campanha militar, impossibilitado de mover-se, e no aguardo impotente de sua recuperação, foi fazendo, sem se dar conta, um caminho de descoberta que não mais se centrava nele, mas que saía dele próprio para ir ao alcance de Deus e do que Deus desejava para ele (EE 1). Despojou-se, então, de um caminho pessoal e familiar já esperado, e incorporou o desconhecido, entregando-se ao Criador para que dele e nele, criatura, se fizesse o que Lhe aprouvesse: o que necessário fosse, para em “tudo amar e servir” (EE 233). Mais do que ninguém, Inácio sabia o quanto se perdera em afetos desordenados, e que só com o mais reto e ordenado encaminhamento destes, lhe fora possível seguir escutando e discernindo o que Deus desejava dele. Assim, iluminado por Deus e genial como ser humano, escreve seus Exercícios, sempre muito realista quanto à sua/nossa condição de seres incompletos e insatisfeitos, prisioneiros de desejos – conhecidos ou não – que turvam a visão do que está em nós e fora de nós. No entanto, Inácio nunca duvidou de que era e é nessa mesma condição dolorida e humilhante de permanente inconcluso, mas de eterno pedinte da Graça de Deus, e que é possível ascender a possibilidades inesperadas e expansões inauditas.
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A busca de Deus e o outro: na escuta de Doroteu de Gaza
(Mestrando Alvimar Eustáquio Barcelos Fagundes)
Seria a santidade insuportável? Procuraremos abordar essa questão por meio de uma escuta atenta aos “ensinamentos espirituais” de Doroteu – monge do início do século VI – que abraçou a vida monástica ingressando num mosteiro localizado em Gaza, sul da Palestina. Em uma de suas conferências, Doroteu convida seus pares a imaginarem um círculo cujo centro é Deus, e diz: “Quando os santos, desejando se aproximar de Deus, caminham para o meio do círculo, à medida que penetram no seu interior, aproximam-se uns dos outros ao mesmo tempo que de Deus”. Diante de tal afirmação, convém que esclareçamos a que dedicaremos nossa investigação: seria a santidade de um homem insuportável para os seus semelhantes? As palavras de Doroteu nos permitem responder à tal questão, dado que para ele a busca de Deus está imprescindivelmente relacionada à comunhão com o outro.
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A busca da santidade e suas adversidades segundo a Ortodoxia
(Doutoranda Wilma Steagall De Tommaso)
O objetivo dessa pesquisa é detalhar o conceito de santidade — homem novo, nova criatura — na Igreja do Oriente, sua práxis como um processo ascético místico que leva à deificação. O cristianismo oriental parte do episódio da Transfiguração de Jesus e aposta na deificação, neste mundo, para aqueles que buscam a santidade. A etimologia da palavra “santidade” em hebreu, por sua raiz, sugere uma separação: colocar-se à parte no mundo, em uma pertença total a Deus. A maior batalha a se travar é aquela contra o mal, que investe impiedosamente sobre aqueles que escolhem a “porta estreita”. É a perversidade da inveja daquele que introduziu o mal, desde o começo, que não suporta a deificação. Desde o princípio, ele concebeu a inveja contra o Criador e contra a criatura, segundo São Máximo.
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Santidade no pensamento de Ibn Arabi
(Mestranda Wanessa Cardoso)
Para o islã, Santidade é um título que Deus altíssimo concede a qualquer ser humano que possua características específicas tais como: sinceridade, purificação espiritual, obediência a Deus altíssimo, submissão à vontade Divina, sabedoria, humildade, benevolência etc. Quando um homem possui tais características, a religião islâmica o considera como sendo um representante de Deus Altíssimo na Terra e, a partir daí, ele é considerado um Santo. Porém, o islamismo proíbe considerá-lo como sendo uma divindade a ser cultuada, porque todas as suas características são provenientes de Deus, o único merecedor de louvação, pois ele é o Sapientíssimo, o Criador de tudo que existe neste universo, que não necessita de nada e de ninguém. Resumindo, pode-se dizer que Santidade é uma porta aberta para todos os homens, quando estes se aplicam às características acima mencionadas.
Assim, o objetivo é trazer o pensamento do místico árabe Muhidin Ibn Arabi (1165-1240), considerado um dos mais influentes pensadores islâmicos, dentro da obra “O Compassivo Ilimitado – A vida e o pensamento espiritual de Ibn Arabi” de Stephen Hirtenstein, com o foco no caminho da via mística do Islã chamada Sufismo. Ampliar essa intuição do que é Santidade no Sufismo, e como Ibn Arabi amplia uma via a ser vivenciada, será a discussão a ser feita, lembrando que:
“O homem veio a este mundo para cumprir seu verdadeiro objetivo (Santidade); se não cumprir, em realidade nada fez.” (Rumi, poeta sufi, fundador da Ordem Sufi Mevlev).
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O que é Santidade e para quem ela seria insuportável? O Cristão São Francisco de Assis e o Hindu Ramana Maharshi
(Doutorando Luís Malta Louceiro)
O objetivo neste trabalho é triplo: (I) apresentar nosso “instrumental teórico”: os principais conceitos do filósofo idealista-objetivo, pragmaticista e semiótico norte-americano, Charles Sanders Peirce (1839-1914), para quem “não podemos pensar sem signos” (Questões concernentes a certas faculdades reivindicadas pelo homem; 1868 IN The Essential Peirce, Volume I, p. 24) e as “quatro características da experiência mística” propostas por seu colega, o psicólogo e pragmatista estadunidense, William James (1842-1910; IN As variedades da experiência religiosa; 1902, p. 371); (II) definir esse “fenômeno”, a “santidade”; e, (III) buscar compreender “para quem” a “santidade” seria “insuportável” – ou não – já que, como veremos, a relação dos “símbolos sociais” – na figura (e força) de suas “instituições” (“religiosas”) – tem sido ambígua para com o “santo” no decorrer da história (Gershom Scholem. A cabala e seu simbolismo, 1978, p. 13). Recorreremos, paradigmaticamente, a dois “con-textos”: o cristão e o hindu. Como representante do primeiro, revisitaremos São Francisco de Assis (c.1182-1226), talvez o mais emblemático dos santos cristãos; do segundo, apresentaremos Ramana Maharishi (1979-1950), geralmente considerado o maior dos santos indianos do século XX. Como, ao fim e ao cabo, os “con-textos” cristão e hindu têm lidado com os “textos” de seus “santos” no decorrer da história é o que buscaremos esclarecer neste trabalho.
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Simul Justus Et Peccator: pecado e santidade numa leitura do reformador Martinho Lutero
(Mestrando Andrey Mendonça)
Martinho Lutero é o maior expoente da Reforma Protestante do século XVI. E como tal, é alvo de investigações até nossos dias. Esta comunicação pretende sublinhar uma questão que marcou profundamente este pensador: Como conciliar o pecado e a santidade na relação do ser humano com Deus? Isto é, como o ser humano pecador pode encontrar-se diante de um Deus Santo? Lutero, perturbado por essa questão em seu claustro no mosteiro agostiniano de Erfurt, descobrirá, em sua leitura dos textos bíblicos, especialmente de Paulo, respostas à sua alma atormentada. Assim, inicia-se o pensamento da Reforma Protestante. Uma síntese entre o pecado e a culpa humana, e a santidade e redenção divina.
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O trágico e o insuportável da santidade
(Profa. Dra. Ana Claudia Ayres Patitucci)
O trabalho visa apresentar a concepção trágica da condição humana, a qual aponta para o drama insuperável de nossa existência: o homem é dotado de capacidades que manifestam a sua grandeza e, ao mesmo tempo, é presa dos limites intransponíveis de sua finitude. A decorrência deste paradoxo é que o trágico questiona o sentido da existência na medida em que coloca o homem frente à miséria de sua condição mortal. Nesse sentido, será a santidade uma tentativa de superação do trágico existencial ou a confirmação deste?
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Santidade como Altruísmo Heróico: o relacionamento com o Transcendente como heroísmo ideal
(Mestranda Jussara Almeida)
A proposta visa abordar o conceito de santidade na perspectiva do antropólogo e pensador Ernest Becker, que a vê como um “heroísmo cósmico” – o único heroísmo que possui uma perspectiva transcendente – dentro de sua teoria da construção de “projetos de imortalidade” como forma de afastamento ou negação da consciência da mortalidade humana. A santidade demonstra um ideal de “abertura da percepção”, como na psicanálise, só que efetuada por um poder que ultrapassa e supera o humano. O santo é aquele que vive, primariamente, em reverente temor e admiração diante de toda a Criação (incluindo a si próprio, em sua natureza duplamente animal e divina), e que se encontra sem medo da própria morte, por causa da incomparável majestade e poder que vê em Deus. Ele representa o mais exaltado tipo de heroísmo, porque, em sua relação com Deus ou o transcendente, o santo transcende a si próprio.
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Da Angústia ao Êxtase
(Prof. Dra. Maria José Caldeira do Amaral)
A partir da publicação de Pierre Janet, de 1926 “De langoisse a l’éxtase. Études sur les croyances et les sentiments” o objetivo deste ensaio é dialogar com a Psicologia/Psicopatologia e a Religião, especialmente com a experiência de Deus, tendo em vista o estudo da paciente Madeleine, de Pierre Janet em Salpêtrière. Os estados de tortura, consolação, êxtases, atividade espiritual, gozo na calma e na força, gozo dos sentidos, pureza moral, vida divina, ascetismo, delírio de união, amor obsessivo, delírio de amor, tentativas do delírio, assim apontados por Janet como delírio religioso em uma extática, nos levam a desenvolver, junto com a experiência de Madeleine relatada e comentada por esse expoente psiquiatra do século XIX e XX, uma reflexão sobre a suportabilidade e a insuportabilidade da condição psíquica sobreposta à condição espiritual, aproximando essas duas condições àquelas encontradas nos relatos da experiência de Deus contada pelos assim chamados místicos e místicas, dentro do contexto religioso especificamente cristão.
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O justo sobrevive?
(Mestranda Ana Enésia Sampaio Machado)
No judaísmo, o justo pode ser considerado o equivalente ao santo do cristianismo. Nessa comunicação, pretendemos abordar sobre o conceito de justo e colocarmos a questão: Seria possível a sobrevivência do justo num campo de concentração nazista?
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Seria a Vida suportável sem a Santidade?
(Ms. Maria da Glória Hazan)
Seria a Santidade Insuportável? O filósofo do judaísmo Abraham Joshua Heschel, responde a esta pergunta com outra questão: “Seria a Vida suportável sem a Santidade?”. A proposta deste trabalho é abordar o conceito de Santidade na perspectiva de Heschel, que nos oferece a definição de homem piedoso para compreender sua relação com o inefável. Ele parte do princípio que o homem, sem esta consciência, perde o valor da dignidade humana. Para ele, somos vítimas de um sentimento comum de terrível isolamento no confronto com a realidade. Essa agonia e desespero nos preparam e mobilizam para procurar uma “voz de Deus no mundo”, e nos movem em direção à procura do sagrado. Abordaremos o significado de homem piedoso, o do sétimo dia, o Shabath – presença da Santidade no tempo – como experiência cardinal de sua natureza e filiação divina.
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O silêncio de Abraão – Paradoxo da santidade em “Temor e Tremor”
(Prof. Dra. Maria Cristina Mariante Guarnieri)
Seria a santidade insuportável? Diante desse tema, gostaria de propor a reflexão da obra de Kierkegaard, Temor e tremor (1843), escrito sob o pseudônimo Johannes de Silentio. Nesse texto, Kierkegaard analisa o episódio bíblico do sacrifício de Isaac por Abraão, a quem ele chama de cavaleiro da fé. Para Kierkegaard, ao procurarmos um homem de fé, será difícil encontrar, pois nada denuncia seu caráter especial. É um homem comum: a humildade está presente nesse homem que conhece a felicidade do infinito e desfruta do mundo finito. A vida do cavaleiro da fé é centrada no absoluto, o que sustenta e inspira toda sua trajetória. Abraão é, então, o justo, o cavaleiro da fé que é testemunha de Deus, pois tem intimidade com Ele, mas que justamente por isso está só. Sua conduta é insustentável moralmente; ele se encontra entre a insanidade e a condição de criminoso, mas seu ato torna-se santo e agradável a Deus. Pretendemos, portanto, orientar nossa comunicação a partir do paradoxo que é a fé e do silêncio diante da ordem de Deus.
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As relações entre Santidade e Desprendimento
(Ms. Carlos Alberto Araújo de Sousa)
Nosso objetivo neste trabalho consiste em mostrar as possíveis relações entre a busca da santidade, como proximidade com Deus e distanciamento do mundo, e o desprendimento do eu. Desprendimento como esvaziamento de si, aniquilamento, nadificação e retorno ao primeiro princípio. Este estado ontológico se faz presente tanto no processo de santificação como na condição santa. Neste empreendimento, passaremos primeiro pelo pequeno tratado do Mestre Eckhart, Sobre o desprendimento, e em seguida trataremos do tema nas reflexões de Blaise Pascal, onde o mesmo diz que “a conversão verdadeira consiste em se aniquilar [...]” (frag. 378/470).
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As transformações da Alma – Sofrimento e Êxtase em Angela de Foligno
(Ms. Ilvana Maria Pereira Bulla)
O trabalho apresenta a experiência mística de uma beguina italiana, do final do século XIII e início do XIV, chamada Angela de Foligno. Como uma penitente franciscana, Angela mostra a forte influência desse movimento no início de seu caminho ascético. No entanto, ao longo dele, sua mística se agiganta e marca lugar na história do cristianismo ocidental, mostrando uma espiritualidade de desenho próprio, com características que em muito ultrapassavam qualquer modelo estabelecido. Mística de primeira grandeza, esta “dama das trevas ou senhora da noite escura”, como foi chamada, experimentou a angústia decorrente da aproximação de sua alma de Deus, vivendo por todo seu caminho espiritual a contínua alternância entre o êxtase e o sofrimento. A cada experiência extática, Angela sofria, pois o êxtase, repetidas vezes, transformava sua percepção sobre o mundo e sobre si mesma, revelando-lhe assim uma realidade que era causa de “muito choro amargo”. Portanto, o sofrimento oferecido a ela no êxtase, proporcionava-lhe um conhecimento superior, sobretudo no que se referia à condição natural do homem, sua cegueira ontológica e seu infinito distanciamento de Deus. A mesma fonte de profundo deleite era também fonte de sua irremediável tristeza. Eis a principal característica de sua mística: o duplo mergulho nas profundezas insondáveis da divindade.
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A graça e a experiência da “descriação” em Simone Weil
(Mestrando Alexandre Andrade Martins)
Para Simone Weil, a lei central do mundo é a Lei da Gravidade. Ela leva o ser humano a buscar tudo aquilo que pode acrescentar algo a mais nele e, assim, proporcionar a conservação e a consolidação da sua existência ameaçada. Em outras palavras, é a afirmação do eu. Porém, essa lei é a força deífuga por excelência e afasta o ser humano do sobrenatural e da verdadeira condição humana. A única maneira para escapar da gravidade é pela graça, a qual só depende de Deus, mas o homem precisa desnudar-se totalmente a fim de criar as condições necessárias para a experiência da graça ocorrer. Para Simone, essa condição consiste na abolição do eu, a qual deixa a pessoa vazia para poder ser preenchida pelo Ser. Mostraremos esse processo no pensamente de Simone Weil a partir da sua obra La pesanteur et la grâce e como o mistério do sofrimento descria o homem e o entrega a Deus. Para poder criar, Deus precisou rebaixar-se e, por amor, deixou de ser tudo para podermos ser algo. Por amor, o homem precisa deixar de ser algo para Deus voltar a ser tudo, um desnudar-se que mata todas as tentativas da vontade de preencher o vazio existente na natureza humana. Dessa forma, mata-se o eu – o máximo que podemos oferecer – e permite-se o trabalho da graça em descriar-nos. Mostraremos que isso exige uma humildade total e um aceitamento de toda dor e desgraça, sem querer fugir do sofrimento, pois, para Simone Weil, todo consolo na desgraça afasta do amor e da verdade. A verdadeira grandeza do ser humano é ser nada e se livrar de todos os bens relativos e mesclados, um despojamento alcançado na santidade por amor a Deus.
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Marta Maria: Véus do Inominável
(Doutoranda Carla Saudades Lloret)
Nesta reflexão, um dialogo com a mística apofática medieval e algumas obras fotográficas de Marta Maria Perez Bravo, radicada no México. A intenção é aproximar a tese de doutoramento, de Rubens Fernandes Filho, “Fotografia Expandida” e o livro “La fotografia plastica”, de Dominique Baque, de algumas abordagens sobre a questão da imagem, a partir dos conceitos de semelhança e dessemellhança, enfocados por Pseudo Dionísio e Meister Eckhart, no âmbito da deidade, enquanto obscuridade ultraluminosa, abarcadora do silêncio que vela os mistérios. O texto eckhartiano “O homem nobre” dialoga com as fronteiras da santidade, onde encontramos, no homem, a imagem e a semente de Deus impressa na eternidade divina. O conceito de sofrença, de Meister Eckhart, encontrado no Sermão 104, fala-nos sobre o sofrer e o contemplar a Deus como algo de extrema grandeza, onde, às vezes, ele mesmo se retrai do espírito. Podemos pensar a questão da imagem não vista, que a obra da artista nos oferece, e o âmbito da santidade a partir da linguagem originária heideggeriana, onde o homem, enquanto zelador do nada, como fala Hannah Arendt em seu livro “A vida do espírito”, transforma-se em guardião do Ser, e o conceito de morte como redoma, morada, reúne, protege e nos salva na lembrança.
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Uma leitura Beckeriana do processo de humanização de Jesus Cristo descrito na obra de José Saramago “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”
(Mestranda Daniele Batagin)
O Evangelho Segundo Jesus Cristo é um romance em que José Saramago faz uma releitura da história e vida de Jesus Cristo. O autor não tem como preocupação a descrição dos dados narrativos teológicos de forma literal, como encontramos nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e São João; sua preocupação é criar para o leitor um cenário para a condição humana do próprio Jesus Cristo, bem como das “pessoas” que transitaram em sua vida desde a sua concepção até a sua morte. Saramago preenche de forma literária lacunas da vida de Jesus, que não são descritas pelos textos bíblicos, e com esse preenchimento acaba publicando uma obra polêmica que humaniza a figura de Jesus Cristo. A partir do cenário criado por Saramago, proponho para o seminário fazer uma leitura Beckeriana desta obra literária O Evangelho Segundo Jesus Cristo, tendo como objetivo observar o processo de humanização que o autor faz na figura Santa de Jesus.
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A exuberante e delicada mulher de Deus e o apaixonado homem das artes: seria possível um encontro entre a modernidade e o passado, entre a instituição e a experiência religiosa?
(Prof. Dra. Viviane Cristina Candido)
Convidado para fazer uma imagem de Santa Teresa D’Ávila na Capela Cornaro da Igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma (1647), Gian Lorenzo Bernini – escultor, arquiteto e pintor italiano – retrata o Êxtase de Santa Teresa naquilo que podemos chamar de “as duas transcendências” almejadas por homens e mulheres: a do encontro amoroso e da carne, e a do encontro com Deus. Santa Teresa escreve sua vida profundamente consciente, porque sensivelmente tocada na pele, de que não poderá abandonar o corpo para chegar a Deus. Os caminhos para esses encontros e desencontros se traçam e entrelaçam na vida e na obra do escultor, e também da Santa, numa relação real com o pecado e com o mal, enquanto se aspira à vida, e numa crítica e obediência à Igreja Católica como instituição. Ao iluminar esses entrelaçamentos possíveis, pretendemos nos aproximar da possibilidade do encontro entre epistemologia e mística, modernidade e passado, e instituição e experiência, de modo a responder por uma santidade possível, conquanto não se pretenda que o homem seja Deus.